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Mar

A Internet das Coisas já é parte do Nosso Cotidiano

Apesar de ter seu desenvolvimento iniciado há cerca de 50 anos, a Internet, na forma como a conhecemos, desembarcou no mundo em meados da década de 90. Na sua primeira fase, ela acabou conectando as pessoas entre si e com os sistemas que simplificaram a nossa vida:e-commerce, internet banking, comunicações, redes sociais, etc. Então nada mais natural essa tecnologia, já completamente comprovada, ser aplicada para conectar diretamente produtos, equipamentos, veículos e sistemas entre si. Isso é revolucionário e já está impactando e transformando o mundo. Essa tecnologia é tão vistosa que Michael Porter, um dos maiores pesquisadores de estratégia e competição do mundo (Harvard), declarou que a IoT é a mudança mais importante na produção desde a Segunda Revolução Industrial, destaca Fabiano Nunes, professor na Universidade Feevale, consultor de empresas, mestre, doutorando em Engenharia de Produção e Sistemas na Unisinos e pesquisador sobre o tema da Indústria 4.0 desde 2014.

Estamos falando da Internet das Coisas, ou Internet of Things em inglês (IoT). Cunhado pelo pesquisador britânico Kevin Ashton, o termo remete a interligar as coisas com conectividade e o uso da Internet. Ou seja, é a comunicação autônoma máquina a máquina (M2M) via Internet, que permite que diferentes objetos, de carros a máquinas industriais ou bens de consumo como calçados, roupas e eletrodomésticos, compartilhem dados e informações entre si para realizar tarefas de forma autônoma. Um exemplo simples é a automação residencial, que possibilita que luzes se acendam, que a temperatura seja ajustada ou que o forno seja ligado a partir do comando de um dispositivo como o aparelho celular. A base para o funcionamento da IoT são sensores e dispositivos, que tornam a comunicação entre as coisas possível. É preciso também um sistema de computação para analisar os dados e gerenciar as ações de cada objeto conectado a essa rede.

Apesar de ser um movimento relativamente novo no Brasil e até mesmo no mundo, a IoT vem crescendo exponencialmente e transformando a maneira como nos relacionamos com as coisas e o ambiente corporativo. Suas inúmeras possibilidades de aplicação da agroindústria à saúde, manufatura, transportes, etc., colocam essa tecnologia no topo da Transformação Digital (TD) nos negócios. Cidades inteligentes também começam a ser uma realidade, possibilitando monitoramento de ruas, pontes, controle de iluminação, equipamentos que geram energia quando utilizados e otimização de mobilidade por meio de sensores. Estima-se que os gastos globais com IoT crescerão a uma taxa anual de 13,6% até 2022, chegando a US$ 1,2 trilhão daqui a quatro anos, e que o número de dispositivos conectados irá exceder 50 bilhões em 2020.


Inflexão nos Custos

Pesquisas e especialistas atribuem o avanço global da IoT à redução gradativa de custo das tecnologias de sensores aplicados a ela: US$ 1,30 em 2004 para US$ 0,38 em 2020. Da mesma forma que ohardware, os custos de hospedagem e de transações para aplicações em servidores (nuvem), tais como AWS, Azure, Google, IBM cloud, têm caído significativamente, reduzindo o custo operacional da conexão e de manutenção dos dados, sem falar no baixo consumo energético pela duração maior de baterias. Estamos passando por um momento de inflexão dos custos. Será como as Smart TVs. Acredito numa curva de amadurecimento de dois anos para a tecnologia IoT, pois cada vez mais as pessoas irão querer coisas conectáveis e produtos com funcionalidades adicionais por preços menores, projeta Daniel Corteletti, analista de serviços técnicos e tecnológicos do Instituto de Tecnologia do Senai Mecatrônica, de Caxias do Sul, instituição que vem atuando no desenvolvimento de projetos, produtos e soluções conectáveis para indústrias locais via Web e LoRa (hardware aberto).

Inúmeras são as vantagens oriundas dessa tecnologia. Na indústria ela sinaliza para um forte aumento de competitividade, resultante da redução de custo de processos produtivos e da automação de tarefas. Não há uma fórmula única. Cada tipo de negócio irá se beneficiar de forma diferente ao conectar seus ativos. Além disso, a IoT permitirá a criação de modelos de negócios inéditos, que irão se sobrepor à forma como muitas coisas são feitas hoje. Nesse caso, a ruptura de uma indústria pode ser ainda mais significativa, pontua José Rizzo Hahn Filho, presidente da Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII) e CEO da Pollux, de Joinville (SC). Segurança das pessoas e do patrimônio, interação entre os atores de um processo, redução de erros e de falhas, autonomia dos equipamentos e assertividade na tomada de decisões quando utilizada em conjunto com Inteligência Artificial estão entre os demais benefícios proporcionados pelo uso inteligente e correto da IoT.


Desafios e Oportunidades

O avanço da IoT, no entanto, coloca algumas preocupações e obstáculos a serem vencidos nos próximos anos, sejam de caráter técnico ou econômico. O principal refere-se à segurança de dados e sistemas. Mas há também outros desafios pela frente, como a falta de interoperabilidade entre sistemas e equipamentos diferentes, a necessidade de regulação para as transações comerciais feitas a partir desses dispositivos e a dificuldade de calcular o retorno de investimento da forma tradicional. Sem falar no problema gerado com o descarte dos inúmeros dispositivos, como celulares,tablets, wearables, etc. Mas nenhum deles deve frear o avanço exponencial da tecnologia. Tanto que Brasil e Argentina, por meio da Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC) e da Câmara Argentina de Internet (CABASE), assinaram recentemente um acordo de cooperação que visa a estimular a troca de informações e de experiências e integrar o ecossistema de IoT entre os dois países, buscando abrir mercado para acordos bilaterais.

O avanço é tão exponencial que já se prenuncia um passo além da IoT rumo à Internet de Tudo, ou Internet of Everythings (IoE), que trata da integração e conectividade entre pessoas, processos, dados e coisas. Aos poucos, ela vai se tornando realidade e tomando proporções avassaladoras. Existem previsões que indicam que, em um futuro não tão distante, até os nossos cérebros estarão conectados diretamente ao que chamamos hoje de Internet, sem a necessidade de um smartphone, por exemplo. Nesta nova era deixaremos de falar da Internet, pois ela será onipresente no mundo, assim como o ar, conectando tudo e todos. Será uma vida completamente diferente da que experimentamos hoje e os especialistas acreditam que ela se materializará em até 30 anos. Quem viver, verá, projeta Rizzo Hahn Filho.


Fonte: Revista NOI (Coluna: Tecnologia, Inovação & Futurismo - Edição: Março/Abril de 2019)
Jornalista: Adriana Schio
Na foto: José Rizzo Hahn FIlho, presidente da Associação Brasileira de Internet Industrial e CEO da Pollux
Crédito: divulgação

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